Archive | fevereiro 2013

Calando a Babilônia com o som do Céu

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“Então um anjo poderoso levantou uma pedra do tamanho de uma grande pedra de moinho, lançou-a ao mar e disse: “Com igual violência será lançada por terra a grande cidade da Babilônia, para nunca mais ser encontrada. Nunca mais se ouvirá em seu meio o som de harpistas, dos músicos, dos flautistas e dos tocadores de trombeta. Nunca mais se achará dentro de seus muros artífice algum, de qualquer profissão. Nunca mais se ouvirá em seu meio o ruído das pedras de moinho. Nunca mais brilhará dentro de seus muros a luz da candeia. Nunca mais se ouvirá ali a voz do noivo e da noiva. Seus mercadores eram os grandes do mundo. Todas as nações foram seduzidas por suas feitiçarias. Nela foi encontrado sangue de profetas e de santos, e de todos os que foram assassinados na terra” (Apocalipse 18.21 a 24).

Desde o princípio, sempre houve guerra pela adoração do homem. Ao cair, aquele que havia sido “Portador de Luz”, passou a dedicar seus dias, esforços e existência a uma desesperada e ilimitada busca pela adoração do homem. Onde quer que se manifestem, ele e seus seguidores sempre exigem algum tipo de adoração, seja em forma de oferendas, de sacrifícios ou de alguma outra forma qualquer.

A compreensão desse fato é suficiente para podermos afirmar que há poder na adoração. Assim também fica claro que o inimigo de nossas almas sabe disso e deseja alimentar-se dessa fonte para possuir e usar esse poder.

No texto bíblico apresentado acima, encontramos uma declaração divina de juízo sobre a Babilônia e, dentre as consequências do juízo de Deus, vemos que a música dela será calada (verso 22). Mas por que Deus se preocuparia com a música babilônica? Sabemos que a Babilônia foi a capital da Suméria, na antiga Mesopotâmia, região onde atualmente se encontra o Iraque. O significado de seu nome é discutível, mas os judeus afirmam que sua origem é hebraica e que, derivando de “Babel”, significa “confusão”.

A Babilônia se tornou império e fez história, principalmente com o Rei Nabucodonosor, mas seu primeiro rei foi Hamurabi, o mesmo que criou a divisão do dia em 24 horas e da hora em 60 minutos. Biblicamente, a Babilônia representa um sistema místico e diabólico que afronta a Deus e Seus princípios. Este sistema tem suas ações ligadas à feitiçaria, idolatria e sedução, e oferece forte resistência ao ministério profético (verso 24).

De forma impressionante, no Livro das Revelações (Apocalipse), a Babilônia é destinada ao juízo divino de forma profética, lançando o Senhor grande confusão sobre ela e determinando um tempo para sua completa destruição. Além disso, o cumprimento da profecia em seu devido tempo, como já vimos, também fará cessar sua música. Isso porque, com toda certeza, parte do poder desse sistema maligno, vem de sua música.

Quando usada em função da idolatria, feitiçaria e sedução, a música, que nasceu em Deus e foi criada para Seu louvor e adoração, foge de seu propósito, tornando-se profana. E assim como a adoração santa está ligada ao poder do Deus Santo, a adoração profana alimenta o poder do sistema babilônico.

É isso que vemos ocorrer no carnaval. A música dessa festa carnal é sedutora e toda a sua celebração está ligada à idolatria e feitiçaria. Razões pelas quais entendemos que o carnaval é a maior festa profana de toda a Terra e alimenta o poder maligno representado pela Babilônia. Anualmente as nações que celebram o carnaval são pactuadas com os poderes babilônicos, e inúmeros acontecimentos inexplicáveis que se dão ao longo do ano estão intimamente ligados a esta celebração, aos pactos que se renovam durante ela e, porque não dizer, à música que lhe serve de base.

Na profecia apocalíptica, é possível discernir que o fim do poder desse sistema maligno está intrinsecamente ligado ao fim da sua música. Esse é o motivo pelo qual, há dez anos, temos nos dedicado com empenho e incansável esforço para tentar conscientizar a Igreja de Cristo na nação brasileira para não deixar a cidade durante o período das celebrações profanas do carnaval. Entendemos que, se houver um som santo, mais intenso, por mais tempo, e mais poderoso do que o som profano da música babilônica, subindo ao Céu e cobrindo a nossa nação no período de carnaval, a música da adoração santa anulará o poder liberado sobre o País pela adoração profana.

A palavra que recebemos de Deus para convocarmos a Igreja e mobilizarmos a adoração ao Senhor Jesus no período de carnaval se definiu, para os que entendem essa guerra de altares e de adoração, como Santa Convocação. Um tempo para unir os adoradores do Grande Rei e os intercessores para levantarmos em unidade os Altares de Adoração Santa ao Único Deus Santo e Digno, Jesus Cristo, cobrindo o Brasil e proclamando vida, salvação e a derrota dos poderes do sistema babilônico.

Queremos um Brasil livre das influências da feitiçaria, da idolatria e da sedução. Afinal, “feliz é a nação cujo Deus é o Senhor” (Salmo 33.12)! Desejamos ver o nosso país sendo abençoado e transformado pela graça, bondade, misericórdia, amor e poder do Deus Eterno. Para tanto, seguimos convocando Seus filhos, Seus adoradores e intercessores a se unirem com o fim de levantarmos a adoração santa, que é capaz de fazer calar o poder da música da Babilônia.

No livro de Isaías, a Palavra de Deus nos mostra que, noutra situação, e em relação a uma das muitas guerras de Israel, Ele, o Senhor, castigaria Seu inimigo ao som da música em Seu louvor.

“Cada pancada que com a vara o Senhor desferir para a castigar será dada ao som de tamborins e harpas, enquanto a estiver combatendo com os golpes do seu braço” ( Isaías 30.32).

O que fica evidente aqui é que há poder na música de louvor ao Rei da Glória, suficiente para determinar a derrota de Seus adversários. Sendo assim, na guerra de adoração, guerra de altares, a vitória da música santa é previamente definida sobre a música da Babilônia.

Que flua a adoração viva ao Deus da vida, e que haja vida para a nação brasileira, que é chamada por Ele para ser uma nação adoradora do Senhor Jesus Cristo. Saiba-se isso em toda a Terra! Que se cale o som da Babilônia, que caia por terra o seu poder, ao som do povo que conhece os vivas de júbilo, que ecoam dos que adoram a Jesus Cristo em Santa Convocação!

Dawidh Alves

[Foto por Joao Paulo Murabah]

O que tem mais valor?

TragŽdia em Santa Maria. Boate Kiss.

Mas Deus disse a Jonas: “Você tem alguma razão para estar tão furioso por causa da planta?” Respondeu ele: “Sim, tenho! E estou furioso a ponto de querer morrer”. Mas o Senhor lhe disse: “Você tem pena dessa planta, embora não a tenha podado nem a tenha feito crescer. Ela nasceu numa noite e numa noite morreu. Contudo, Nínive tem mais de cento e vinte mil PESSOAS que não sabem nem distinguir a mão direita da esquerda, além de muitos rebanhos. Não deveria eu ter pena dessa grande cidade?” (Jonas 4.9 -11)

Desde o momento em que soube da tragédia que sobreveio à cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, tenho estado com meu coração consternado.

Tenho orado sobre o assunto, pelas famílias que perderam seus amados, pela cidade que se viu envolta nas densas nuvens do luto repentino, pela Igreja de Cristo na localidade, a fim de que tenha graça para amar, consolar e auxiliar as famílias nesse momento de dor indescritível. Não somente isso, mas também tenho tentado mobilizar nosso ministério, nossos discípulos, filhos ministeriais, amigos e até os seguidores nas redes sociais, para tentar cooperar de alguma forma em meio ao momento de profunda tristeza.

Posso parecer oportunista. Podem me confundir com um aproveitador que, nessa hora, busca fazer algo que lhe traga alguma recompensa, ainda que meramente humana e passageira, como projeção pessoal, por exemplo. Porém, o que me move é o sentimento de um coração entregue a Deus e que não se conforma em apenas assistir ao noticiário e contemplar tudo à distância.

Creio que Cristianismo é mais, muito mais que mera religião! Cristianismo é um estilo de vida, adotado por quem quer seguir, servir, adorar a Cristo e se parecer com Ele, imitando-O em toda Sua forma de pensar, sentir, falar, agir e viver.

Tão-somente pelo fato de ser cristão, não consigo participar de tudo como mero espectador. Acredito que nosso Senhor, Jesus Cristo, destilava amor, misericórdia, bondade e compaixão, dentre tantas outras virtudes, não apenas por ensinar com graça, sabedoria e autoridade, e por fazer milagres com poder, mas também porque se importava e se envolvia com a dor dos que sofriam. Seu exemplo é suficiente para me fazer agir!

Além disso, parte de meu ministério, de meus recursos, esforços e de minha vida, têm sido dedicados aos jovens nos últimos anos. Simplesmente porque acredito que esta é a geração mais brilhante e extraordinária que o mundo já conheceu e, portanto, a que mais precisa de um real e transformador encontro com Deus.

Nossos jovens têm sido alvo de toda a fúria do império das trevas, com suas ciladas e poderosa sedução, tratando de levá-los, com os prazeres e facilidades do presente século, cada vez para mais longe do conhecimento da Vida e do Amor verdadeiros.

O Amor e a Vida não se deixam conhecer e no que podemos alcançar antes que a gente tenha desistido de buscá-los em qualquer coisa e venha a se entregar, e a reconhecer que Amor e Vida são mais que experiências, prazeres, sentimentos, diversão ou emoções. O Amor e a Vida são uma Pessoa que a gente só conhece e experimenta por completo quando se rende totalmente.

Creio que essa geração de crianças, adolescentes e jovens, que estamos vendo crescer e se perder, é capaz de mudar o mundo, se conhecerem Aquele que pode mudá-los. E é isso que o adversário procura impedir.

A tragédia de Santa Maria comoveu meu coração. Centenas de príncipes e princesas tiveram suas vidas interrompidas mesmo antes de as terem descoberto. Eram príncipes e princesas e não sabiam!

Em meio a tantas perguntas, muitas das quais ficarão sem respostas, em meio a tantas críticas, buscas por culpados, etc., algumas das questões que mais me deixaram em choque foram a indiferença e a falta de sensibilidade demonstradas por alguns crentes. Nossa falta de amor, misericórdia, compaixão e empatia me fazem pensar: O que é que tem mais valor?

Na experiência do profeta Jonas, vemos que seu coração achava-se completamente fechado para a possibilidade de Deus salvar uma cidade que ele julgava indesculpável e merecedora da destruição anunciada.

Jonas se encontrava confortável em sua posição de salvo. Ele era parte do povo escolhido e não se importava com os demais povos da Terra. Ao contrário, Jonas acreditava com todas as suas forças que os habitantes de Nínive, uma cidade mergulhada em malícia, desprovida de moral e bons costumes, mereciam morrer, assim como os de Sodoma e Gomorra, quem sabe.

Este profeta sincero, porém egoísta, absolutamente equivocado, e ignorante do profundo amor e da misericórdia divina, recusou-se a anunciar o perdão e a salvação a um povo pecador aos seus olhos, mas que era amado por Deus.

No final de seu livro, Jonas relata que aprendeu a maior de todas as lições que seria repetida pelo Senhor Jesus Cristo, milênios mais tarde.

Quando o profeta se aborreceu com a morte de uma planta que Deus fez nascer e não preservou, o Senhor lhe abriu os olhos para perceber que a vida do ser humano tem muito mais valor para Ele, e que esta, sim, deve ser preservada de todas as formas possíveis, ainda que contrariando toda a lógica humana, as diferenças culturais, opiniões e julgamentos pessoais, e a religião!

Para o Senhor Deus, a vida das pessoas em Nínive era valiosa e estava acima do peso de seu estilo de vida pecaminoso. Afinal, aquelas pessoas não sabiam sequer distinguir a mão direita da esquerda; ou seja, o certo do errado.

O orgulho religioso fez alguns de nós ignorarmos, em nossos comentários, a importância das vidas dos jovens que se foram no incêndio da boate em Santa Maria. Alguns esqueceram que, se aqueles jovens estavam lá, talvez seja porque nós, fechados em nossa arrogância evangélica, em nosso preconceito religioso, não saímos de nossa zona de conforto, de nosso seguro “status” de salvos, para ajudá-los a discernir entre o bem e o mal.

Talvez alguns daqueles jovens de futuro interrompido abruptamente pudessem ainda estar vivos, se nós, cristãos brasileiros, estivéssemos vivendo em amor, compaixão, misericórdia e bondade verdadeiros. Se estivéssemos vivendo o Cristianismo verdadeiro que reflete Cristo em todas as Suas virtudes e características, em vez de nos separarmos em nossas convicções denominacionais e religiosas, tão diferentes umas das outras.

Talvez alguns daqueles jovens insubstituíveis – ou todos eles – ainda estivessem vivos se aprendêssemos mais rápido a lição que Jonas aprendeu bem tarde: Deus ama as pessoas. Ele ama vidas. Ele ama a todos indiscriminada e intensamente! Ele as ama o suficiente para morrer por elas!

Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos (João 15. 13).

Se aprendermos essa lição, talvez sejamos capazes de aprender outras duas. A primeira é esta:

“Mestre, qual é o grande mandamento na lei?” Respondeu-lhe Jesus: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22 .36 – 39).

E esta é a segunda:

Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e nós devemos dar a vida pelos irmãos (I João 3.16).

Finalizando, oro para que Deus nos ajude a entender, de uma vez por todas, que vidas valem mais que coisas, e que a vida do próximo vale mais que a nossa.

Jesus os abençoe.

Dawidh Alves