Encontros – primeira parte

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Ele apenas perambulava pelas ruas no centro da cidade. Na verdade, de tão atordoado, nem mesmo sabia estar no Centro. Havia perdido completamente a noção do tempo e de direção. Sua alma estava em absoluto desespero e sua mente, em parafuso. Centenas de pensamentos bombardeavam a mente confusa, todos ao mesmo tempo e sem dar trégua. Angústia, tristeza profunda e questionamentos mil faziam as lágrimas molharem seu rosto, de forma incessante.

Que fazer? Continuar andando? Parar e beber até esquecer, até cair? Morrer, simplesmente? Ou voltar para casa e tentar seguir em frente? Ele já havia feito isso antes e, no fundo, bem lá no fundo do coração, ele sabia que poderia fazê-lo de novo. Mas estava tão cansado…

A vida não havia sido nada fácil para ele. Tinha lutado muito para conseguir tornar-se alguém e chegar aonde chegou. Mas agora, apesar de saber ser capaz, não conseguia encontrar motivação alguma, nem mesmo razão para tentar de novo.

Seu nome é Jairo, mas ele nunca teve certeza se era esse mesmo o seu nome, então preferia ser chamado de Wellington, seu nome do meio.

Ele fora abandonado pela mãe, não tinha irmãos, e crescera numa casa lar para crianças sem nunca ter conhecido o pai. Jairo Wellington foi o nome que disseram ter recebido em homenagem aos dois policiais que o encontraram na rua, numa noite chuvosa quando o levaram ao hospital, para depois ser encaminhado para o orfanato.

O período escolar tinha sido muito, muito difícil. Como não era de uma beleza adequada aos padrões tidos por normais, sempre sofreu zombarias entre as demais crianças e nunca fez amigos. No orfanato, diziam que ele era feio demais para que alguém se interessasse em adotá-lo e que era impossível amar alguém como ele.

A revolta tomou conta de seus sentimentos muito cedo e não tardou para que a violência aflorasse. Na adolescência, decidiu que não zombariam mais dele sem sofrerem as consequências, o que lhe rendeu algumas passagens pela polícia por agressões.

Decidiu que seria alguém nessa vida e teve de esforçar-se muito para concluir o Ensino Médio, estudando no período noturno e engraxando sapatos numa rodoviária durante o dia. Ali mesmo, descobriu o lado negro da vida.

Além de golpes, roubos, violência e trapaças que via todos os dias, Wellington conheceu políticos, gente rica e bem posicionada na sociedade, atletas, jornalistas e artistas. Frequentou festas e bares, casas noturnas e recepções em mansões sempre a convite de alguém cujos sapatos engraxara e de quem ganhara a simpatia.

Nestas oportunidades, conheceu a falsidade, a futilidade, as banalidades e extravagâncias, a drogas, o álcool, o sexo e as mentiras, roubos e outras tantas coisas que o mundo e as trevas sempre oferecem.

Além de amargurado e agressivo, também se tornou frio, desconfiado e oportunista. A vida estava em decadência, mas ele não percebia.

Em meio a tantas das noitadas de festas, bebedeira e drogas, não conseguia pagar o aluguel de um quarto numa pequena pensão familiar, e logo foi despejado e passou a morar na rua.

Wellington não tinha mais nada. Nas ruas, até sua caixa de engraxate foi roubada, e agora sustentar o vício só era possível por meio de furtos e roubos. Sua agressividade rendeu-lhe a fama de mau e o apelido de “sangue ruim”. Ele se tornou um homem mau e completamente infeliz, sem amigos e sem perspectiva de futuro. Até que um dia…

 Dawidh Alves

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About tabbrasil

O Ministério Tabernáculos é uma associação cristã interdenominacional a serviço do Corpo de Cristo. Trabalhamos com adoração, ensino e assistência social. Queremos o Brasil transformado pelo Reino de Jesus Cristo. Tudo é para Ele.

6 responses to “Encontros – primeira parte”

  1. Aline says :

    ameei o texto… estou loouca pras proximas partes

    • Leila Gomes says :

      Ola a paz, amei o texto e vi tudo isso num teatro se passando em uma grande peça.
      Apostolo apos a conclusão posso copiar este texto e a frente fazer uma montagem?
      Sou atriz, estou em formação e me encantei pela fábula.
      Deus abençoe.

      No aguardo.

      Leila Gomes

      • tabbrasil says :

        Oi, Leila! Obrigado pelo comentário! No momento, o texto ainda está sendo escrito. Quando for terminado, o ap. Dawidh vai escolher algum destino para ele e ainda não sabemos qual. Mas agradecemos imensamente pelo seu interesse! Abraços!

  2. lariany kozak says :

    Muito bom…😊…quero mais!!! Que venha a segunda parte…

  3. Rosemary Bevilacqua says :

    não vejo a hora de ver o que vem a seguir… com certeza valerá a espera.

  4. Josué Pontes says :

    Na expectativa do desenrolar da história.

    Lembrei de uma história, onde um pastor vendo o crescimento de sua Igreja e querendo acompanhar de perto suas células, toda a semana ele chegava de surpresa para visitar algumas células e saber a história de conversão de cada um deles. Um deles começou contar sua história, certo dia um homem andando pela rua se deparou com outro homem deitado na calçada desacordado, parou sua mato e viu as pessoas passando e desviando-se dele, outras pulando por cima dele, mas ninguém parava. Sentiu um profundo amor por aquela vida e foi até ele, tentou acorda-lo e viu que estava alcoolizado, chamou um táxi colocou aquele homem no táxi eandou o taxista seguir moto. Levou até a sua casa mandou o homem tomar um banho, deu uma roupa para ele, serviu um café farto e enquanto o homem comia começou falar do amor de Jesus e o quando Jesus sonhava com uma vida diferente para ele. Naquela noite este homem aceitou Jesus, e este homem começou a acompanhá-lo e discípula-lo. Este homem era o líder daquela célula pelo qual estava sendo visitada por seu pastor. Esse lindo testemunho mostra que não importa qual a situação que pode um ser humano estar, o que Deus quer de nós é um olha e uma compaixão como a de Jesus.

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